Usando uma nova técnica de microscópio, cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, conseguiram superar a barreira do crânio e observar o cérebro sem uma cirurgia invasiva. Os pesquisadores mapearam todo o cérebro de um camundongo sem danificar o órgão.

Esse era um grande obstáculo no caminho da obtenção de imagens biológicas. O crânio bloqueia e espalha a luz, e normalmente é preciso raspar o couro cabeludo, perfurar o crânio e conduzir uma cirurgia no cérebro para ver de perto.

Leia mais:

Com a nova técnica, os cientistas foram capazes de perscrutar quatro vezes mais fundo noórgão de uma cobaia viva. Ela produz um mapa detalhado e dinâmico da rede vascular do cérebro, o que, para os pesquisadores, é uma ferramenta médica valiosa. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira (27), na revista científica Optica.

publicidade

“A visualização da dinâmica biológica em um ambiente tranquilo, nas profundezas de um organismo vivo, é essencial para a compreensão da complexa biologia dos organismos e da progressão das doenças”, disse o engenheiro biomédico Daniel Razansky, principal autor do estudo.

O time comandado pelo engenheiro biomédico injetou microgotículas fluorescentes nos ratos. O líquido viajou pelo sistema circulatório dos animais. Com um comprimento de onda específico de luz infravermelha, eles penetraram melhor no osso para iluminá-los.

Imagem do cérebro da cobaia usando a técnica de microscópio. Imagem: Daniel Razansky/Universidade de Zurique

O conceito é bem similar ao de uma ressonância magnética funcional, pois deixou que os cientistas observassem dentro do cérebro e vissem quais regiões estão ativas e quando. A novidade é que os cientistas foram capazes de fazer isso usando microscopia fluorescente.

Agora, os pesquisadores trabalham para melhorar o processo. Eles querem obter uma melhor resolução em todas as três dimensões, para assim tornar a ferramenta útil para diagnósticos médicos, além da utilidade na pesquisa biológica.

Conseguir essas observações óticas em alta resolução em tecidos vivos profundos era um desejo antigo no campo da imagem biomédica, segundo o cientista Daniel Razansky.

“A excelente resolução [da técnica] para observações ópticas de tecidos profundos pode fornecer insights funcionais sobre o cérebro, tornando-o uma plataforma promissora para estudar a atividade neural, microcirculação, acoplamento neurovascular e neurodegeneração”, concluiu.

Via:Futurism

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!