Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade de Birmingham (UB) buscaram novos meios de identificar mundos habitáveis com a tecnologia atual. Nesse trabalho, publicado quinta-feira (28) na revista Nature, eles focaram nos níveis de dióxido de carbono e ozônio na atmosfera de exoplanetas (planetas fora do nosso Sistema Solar) ao nível de permitir a existência de vida.

Enquanto o aumento de dióxido de carbono na Terra é uma preocupação devido ao aquecimento global, é importante notar que nosso planeta possui uma quantidade relativamente pequena do composto em comparação com planetas inabitáveis como Vênus e Marte. Isso se deve, em grande parte, à capacidade dos oceanos terrestres de absorver CO2.

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Nesse sentido, a estratégia da equipe propõe utilizar o Sistema Solar como modelo para buscar exoplanetas em zonas onde possa haver água líquida, prestando atenção particular nos mundos que têm níveis mais baixos de CO2. O que indicaria grandes corpos de água que absorvem o gás.

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James Webb como parte da estratégia

O Telescópio Espacial James Webb, que já demonstrou sua capacidade de medir CO2 em corpos celestes como a lua Europa de Júpiter, é uma ferramenta chave neste método. Julien de Wit, professor assistente de ciências planetárias no MIT, aponta que, embora a busca por planetas habitáveis e vida extraterrestre tenha sido desafiadora, esse método de detecção de água líquida em outros planetas é um avanço que pode ser concretizado nos próximos anos.

A presença de água líquida não, necessariamente, garante a existência de vida em exoplanetas. Mas os cientistas têm um plano adicional para procurar sinais importantes nesse sentido.

Assinaturas de vida

Eles observam que, na Terra, a vida absorve CO2 e libera oxigênio, que pode se transformar em ozônio sob a ação solar. O ozônio, assim como o CO2, deixa uma assinatura detectável pelo Telescópio James Webb. Portanto, encontrar um planeta com baixos níveis de CO2 e altos níveis de ozônio na zona habitável pode indicar um planeta vibrante com vida.

O professor de exoplanetologia Amaury Triaud, da UB, co-autor do estudo, enfatiza que a detecção de ozônio pode sinalizar uma “vida gloriosa”. Ou seja, algo além de apenas microrganismos isolados. Estamos falando de uma biomassa em escala planetária capaz de processar uma enorme quantidade de carbono e interagir com ela.

ViaNew Atlas